segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Há dias e dias

Já nem me sinto mais tão só
Porque eu sei que em algum lugar,
Mesmo que eu não possa alcançar ainda, você existe!
Eu nem me lembro mais porque eu sentia medo,
mas o medo agora passou, porque você existe...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

E tudo q eu criar pra mim...

"Antes do homem o medo
Antes do medo o amor
Antes do amor a dúvida
pois nem Deus sabe quem criou
aquilo que somos nós...

... e tudo que eu criar pra mim
vai me abraçar de novo na semana que vem,
na semana que vem..."

sábado, 2 de agosto de 2008

Então, é isso...

"And so it is..."

Confesso: sou culpada por ser inocente... eu não menti, não enganei, não traí e não amei. Eu não senti saudade quando deveria, nem me entreguei quando tive a chance, eu não senti o friosinho na barriga, nem deixei que o presente fosse mais forte que o passado para fazê-lo passar finalmente.
Eu sei
q quando eu voltar não haverá mais ninguém à minha espera, nada mais de telefonemas para me despertar todas as manhãs, nem telefonemas de 'boa noite' antes q eu durma. Os finais nunca são fáceis, mas alguns são realmente necessários.
Eu não peço perdão por não amar, só devemos desculpas daquilo q podemos controlar.

...





Esse ainda é meu lugar
Caminhei por céus e infernos até voltar aqui
Os anos passaram de um por um
Novas pessoas vieram, algumas também passaram, outras passaram
Você ainda tá nessa de quem vai passar, mas nunca passa
Mesmo quando eu acho q agora passou, você volta
Eu já nem sei mais o q sentir, ou quem ser
Tenho um coração batendo em outro peito
E ainda quando eu acho q é no meu
Descubro q continua sendo no teu.
O mundo continua girando e, numa volta ou noutra
A gente se topa por aí, depois se topa de novo
Como se houvesse ainda algo reservado para nós
Como se nós não tivéssemos disperdiçado tudo o q nos foi reservado
Como se ainda existisse um "nós"
Como se o nosso "nós" tivesse sido de verdade...
Eu ainda consigo me surpreender comigo mesma algumas vezes
Quando me pego suspirando com uma lembraça tua
Quando me vejo perdida mais uma vez no teu abraço
Quando meu coração acelera por um simples sorriso
Quando eu permaneço paralisada por horas
Apenas porque você me pediu pra ficar...
E quando, mais uma vez, é por você q eu perco o sono.
Eu passei muito tempo acreditando de verdade
Que a gente não tinha dado certo,
Mas só de achar q tinha chegado perto eu já me sentia feliz
No entanto, hoje eu vejo melhor do q via antes
Que, pra falar a verdade, a gente deu certo sim!
Tanto faz o tamanho da distância,
Pouco importa quanto tempo passou e quando ainda vai passar
Estamos em casa agora, de volta ao princípio
E q as outras pessoas possam ser capazes
De nos perdoar por tudo isso
(Inclusive o q ainda faremos).

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Como folhas secas...



Com o tempo você aprende

Que as folhas secas

Não vão voltar a ficar verdes

E precisam cair para que outras folhas nasçam

Cheias de vida.

E você descobre que o amor é muito mais

Do que uma palavra inventada para rimar com flor!

É preciso ter uma cabeça boa

E os pés no chão para ser capaz

De não olhar para trás

Sem se arrepender de alguma coisa lá na frente

(E eu já não tenho nada para lembrar)

O tempo foi e levou todo mundo

Depois me levou também

Como o vento faz com coisas leves e frágeis.

Meus amigos agora são só um remetente

No envelope de uma carta não enviada,

Mas com o selo e o carimbo.

Sempre há linhas tênues em tudo

Elas estão sempre separando os opostos

E os fazendo ficar parecidos

Para que pessoas como nós, os confundam!

Amor e ódio, coincidência e destino...

Sei porque fugi

Todos somos folhas que um dia secam

E não têm mais chance nenhuma

Por isso, precisam deixar seu lugar

Para outras pessoas terem sua chance

E se encherem de vida.

Não vou voltar, pois já não há mais

Lugar seguro lá atrás, onde eu não me arrependa.

Vou ficar e esperar por uma nova luz

Ou um vento que me leve de novo

Para qualquer lugar onde eu possa

Rir de tudo o que me fazia infeliz.




domingo, 22 de junho de 2008

A um(a) grande mestre(a)

video


Quem vê cara não ouve coração

Não tem como saber se a batida dentro daquele peito

Está descompassada e se por dentro, tudo está em pedaços

Não tem como saber se aquela cara (bonita ou não)

Chora às vezes antes de dormir

Quando sai de dentro da armadura

Que já lhe incorporaram, pensando ser ela própria.

Quem vê passando diante de si tanta segurança em forma de gente

Pode até jurar que há ali alguém pretensioso o suficiente

Para roubar o lugar de Deus, quando na verdade

Pode ser que haja apenas alguém cansado de ser o que todos vêem,

Morrendo de vontade de ser simplesmente o que é

(Embora não haja nenhuma simplicidade em ser simplesmente o que é).

Um bom mestre sempre tem entre seus pupilos fãs e rivais

Sabe como lhes provocar medo, raiva ou amor

E fazer com que cada uma de suas palavras ditas (e não ditas)

Transformem-se numa polêmica explosiva

E não apenas numa oração pra ouvir um “amém” como resposta,

Um bom mestre, quase sempre se transforma em (anti)herói.

Não é nada fácil o papel de criador

Principalmente quando as criaturas ficam perfeitas demais

Para aceitar que quem as criou é humana,

Mesmo que pareça um pouco absurdo, de vez em quando

Precisamos lembrar que os humanos sangram, mesmo os (anti)heróis...

Que possamos seguir o exemplo da Lua

Que se enche de brilho e beleza, mesmo sabendo

Que seu brilho causará tanta inveja no sol

Que ele lhe deixará por noites sem luz

E ainda sim ela continuará lá, para se encher de brilho novamente

E por inúmeras vezes, apesar de seus dias de escuridão

Ela ainda estará lá, sorrindo enquanto cresce.

Que nós sejamos capazes de, mesmo que uma vez ou outra

Superar o fato de nossos criadores serem,

Apesar de tudo, humanos.


segunda-feira, 16 de junho de 2008

Que o tempo passe...


Em casa, já vencida pelo cansaço

O pés cansados pedem um chinelo velho

Já é quase onze da noite e eu me pergunto

Que destino você terá tomado aí

Tão distante dos meus olhos,

Tão distante do meu destino

Tão perto do meu coração...

Eu sei que outros agora devem pensar

Que estes versos lhes pertencem,

Mas você sabe que eles são só seus

E eu não vou precisar falar nada

Para que você descubra e tenha certeza

De que são seus e de mais ninguém

Meus versos, meus pensamentos e minha saudade.

Está tudo tão quieto e vazio aqui dentro

Eu olho para a cama em que você nunca deitou

Eu sento nas cadeiras em que você nunca sentou

E mesmo assim as coisas por aqui

Parecem tanto ter a tua cara!

Os dias passaram e ainda passam aos montes

Não sabemos quantos anos de história vamos ter

Sabemos apenas dos anos sem história q não tivemos

Não é tristeza, nem solidão... é só saudade.

Vamos caminhando pra descobrir em algum lugar lá na frente

Se a parte da minha estrada no teu caminho

Não se perdeu lá atrás.

sábado, 31 de maio de 2008

Cuida de mim...


"Pra falar verdade, às vezes minto
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto
Pra dizer as vezes que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo
Tanto faz não satisfaz o que preciso
Além do mais, quem busca nunca é indeciso
Eu busquei quem sou;
Você, pra mim, mostrou
Que eu não sou sozinho nesse mundo.

Cuida de mim enquanto não esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo.

Basta as penas que eu mesmo sinto de mim
Junto todas, crio asas, viro querubim
Sou da cor, do tom, sabor e som que quiser ouvir
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu
Volto atrás, se voltar atrás assim como eu.

Busquei quem sou
Voce, pra mim, mostrou
Que eu não estou sozinho nesse mundo.

Cuida de mim enquanto não esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo."

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Hard sun

"There's a big............................................... "Há um grande
There's a big hard sun ................................ Há um grande sol difícil

Beating on the big people........................... Batendo nas pessoas grandes

In the big hard world..."............................ No grand
e mundo difícil..."



terça-feira, 27 de maio de 2008

A ti, que me faz falta

Chove agora...

O silêncio e o escuro tentam me convencer

Que a distância e a saudade são maiores e mais fortes

Do que toda a nossa história,

Mas ninguém sabe que não há nada mais forte

Que lembranças bem guardadas!

Tudo o que é verdadeiro deve ser escrito,

Pois as palavras ficam marcadas

Diferente de quando se fala

E tudo se dispersa no ar

Como se nunca tivesse existido.

É difícil explicar o que sinto

E mais difícil ainda é para alguém entender

Se não esteve lá vivendo, sentindo,

Passando por tudo o que passamos

Chegando até aqui e descobrindo

Que melhor que ter um amigo é ser um!

Então, não há distância muito longa,

Nem saudade muito forte,

Afinal, para quê os anjos servem?

Eles são os amigos que nos são enviados

Para ensinar e aprender que verdadeiro mesmo

Só é se ficar escrito nas mais simples recordações.

Com o tempo você se acostuma com a idéia

De não ter todos os que ama por perto

E é aí que você aprende a levá-los com você, em seu coração.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Momento egocêntrico

Já cansei dessa saudade constante

De todos que eu sei que não vou poder ter sempre por perto

Não foi bem isso que, quando criança,

Eu imaginei que sentiria quando crescesse...

Eu imaginava o que fazer no dia seguinte, na semana seguinte

Até mesmo no ano seguinte,

Mas nunca havia pensado em como seria realmente

Quando tudo tivesse passado;

Não estava preparada para viver deixando sempre pra trás

Aqueles que fizeram parte da minha história,

Com quem eu dividi muito mais do que momentos, dividi a mim mesma

Cansei de despedidas! Não preciso mais delas.

Eu não sabia que crescer seria assim

E sinceramente não tô gostando nada

Ainda sou criança demais pra já não ser mais tão criança...

Chega uma hora em que qualquer um

Cansa de ser a pessoa que todo mundo vê

E passa a ser simplesmente a pessoa que é

Infelizmente alguns não estão prontos

Para conhecer o verdadeiro “eu” de quem amam;

Há tempos sou apenas a pessoa que sou

Tem sido mais fácil, mas nem por isso melhor.

Sou alegre, mas não necessariamente feliz

Ultimamente, nem alegre, eu acho.

Talvez eu ande mais feliz do que alegre

Ou talvez, mais confusa do que feliz e alegre.

Eu queria respostas e não perguntas novas

Eu queria ser lembrada, mas por pouco tempo,

Não por tempo o suficiente pra saudade vir e fazer seu estrago.

Gosto de saber que pensaram em mim

Que lembraram de alguma bobagem que eu disse na hora errada

Gosto de saber que um sorriso, mesmo que de leve,

Apareceu nos lábios de um amigo

Enquanto ele lembrava algo que viveu comigo

Gosto de saber que contribuí, mesmo que só um pouco,

Com a alegria de alguém,

Mas detesto quando alguém fica mal e eu sou responsável por isso

Acabo me sentindo mal por isso

Aliás, detesto saber que meus amigos estão mal

Mesmo que não seja minha culpa.

Todos os dias temos inúmeras escolhas a fazer

Pode ser que as que eu fizer daqui pra frente

Deixem algumas pessoas, de quem gosto, tristes e eu vou detestar isso

Não espero (nem quero) que me entendam

Chega uma hora em que a vida de todo mundo

Deixa de ser um livro aberto

E eu não tenho nenhuma maturidade

Pra tá expondo tanto as besteiras que eu faço.

Vai chegar o dia em que aqueles que me temem

Já não precisaram mais disso;

Vai chegar o dia em que meus inimigos não terão mais

O prazer da batalha, eles terão vencido

E isso não lhes trará alegrias, apenas remorso;

Vai chegar o dia em que não importará mais quem eu realmente amei

Porque, apesar de tudo, eu amei ter passado pela vida de cada pessoa

E ter permanecido em algumas;

Vai chegar o dia... e não falta muito!

Já tô cheia demais de remendos

De tanto que eu já me quebrei e de tanto que já me quebraram.

Não quero mais remendos nem conserto

Quero começar do zero

Ou então, parar por aqui mesmo,

Se bem que ainda há muito pela frente

Pra eu já está pensando em parar.

Ultimamente meu lugar tem sido lugar nenhum

Parece que em todos os lugares

O vazio que eu costumava deixar foi preenchido

E agora eu estou sobrando...

Agora, nesse exato momento, parei um pouco

Refleti sobre minha vida e a vi tão frágil e pequena

Capaz de perecer a qualquer momento se eu quisesse

Ou mesmo contra minha vontade,

Quantos sentiriam minha falta?

Quantos sentirão?

Quantos já estão sentindo?

Eu nunca vou saber, Mas eles também não saberão

Por quanto tempo ainda sentirão minha ausência

Até poderem me ver de novo, ou simplesmente

Até me esquecerem.

Agora meus olhos pesam

Talvez minha pressão tenha baixado novamente

Ou talvez seja apenas hora de descansar

Esquecer um pouco a gravidade

E fugir do peso da responsabilidade,

Amanhã é um novo dia e é preciso força e coragem,

Mesmo que seja para não vivê-lo.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Carta...

Aqui hoje é 7 de maio, como será q andam as coisas por aí... os dias passam de mês em mês.

Eu me mudei de casa, você não soube disso, nem das outras coisas, dos amigos q se foram, de outros q tiveram filhos. Já faz tempo q eu me perdi de você.

Tenho guardado pra te dar cartas q eu escrevo e nunca mando. Vou contando meus dias por contar e deixando-as em qualquer canto, só fazendo monte, ficando velhas e não significando mais nada.

Vi por aí muitas pessoas, q fizeram parte da nossa história, tropeçando pela vida. Guardei cenas e lugares q um dia eu queria mostrar pra você, mas foram esquecidos.

Me pego pensando em como deve ser sua casa, seus amigos, sua vida em q eu já não existo. Tento imaginar como é agora com quem você se deita e quem te dá abrigo... eu me lembro q eu já contei com você!

Eu olho pra gaveta, as pilhas de envelopes já não cabem nos armários, estão tomando meu espaço, fazendo montes pela casa. Hoje são os meus pedaços de um passado mal guardado, são o q me protegem de um futuro sem boas histórias e eu me pego sentindo saudade de tudo o q já não somos mais.


PS: Por favor, não me escreva aquela carta de amor.

terça-feira, 6 de maio de 2008

No balanço da rede

Quando a gente cresce e passa daquela fase em q os problemas são resolvíveis, a gente costuma achar q todas as coisas eram bem mais simples, bem mais bobas do q realmente eram.
Os mais religiosos costumam dizer q Deus nunca nos dá uma cruz mais pesada do q somos capazes de carregar, mas na verdade, a cruz só é leve quando é nos ombros dos outros.
Eu tenho saudade de quando eu cabia num colo e um abraço era suficiente pra me preencher por completa... tenho saudade de como sempre tinha alguém pra amarrar os cadarços do meu tênis, passar um remedinho no meu "dodói" e me dá um pirulito pra eu parar de chorar.
Parece frase de livro de auto-ajuda falar q não há tempo melhor do q o presente e o q passou não faz falta nenhuma, porque a hora de ser feliz é essa... eu sinto falta das coisas q passaram e não vão voltar.
Sinto saudade daquele natal quando tudo o q me fazia mais feliz era chaqualhar as caixinhas vazias q enfeitavam a árvore, só pra descobrir se tinha alguma coisa dentro. Eu sinto falta daquele balanço da rede, acompanhando uma canção de niná, até q eu finalmente durmisse em paz e deixasse papai e mamãe durmirem em paz também.
Hoje sou só alguém passando... eu sou aquela pessoa sentada ao lado da janela no ônibus, com mil coisas na cabeça, até q o sono consiga me vencer, sem canção de niná, mas com um balanço bem parecido com o da rede: o balanço de quem está indo, mas vai voltar e não vai permanecer.
Hoje sou só alguém q vai não sei pra onde, procurar por não sei o quê e, quando encontra, larga pra procurar por alguma outra coisa q também não sei o q é, por onde não sei ainda.
Me disseram q isso é mobilidade, eu acho q pode até ser, mas eu prefiro acreditar q é aquele balanço da rede, q continua me balançando todos os dias, mesmo quando a rede não está armada, mesmo quando não há armador.
Eu sinto saudade daquela mão q balançava minha rede, eu ando por aí procurando-a, mas eu sei q não vou encontrá-la por aí, numa beira de estrada, tirando fotos, ou esperando carona. Minha rede agora balança sem mão alguma, só com um esboço de vento e meus pés batendo no chão.
Eu prefiro acreditar nesse balanço da rede, q vinha junto da canção, q não parava até q eu realmente estivesse em paz, q ainda hoje embala meu sono e guarda meus sonhos.



"Esteja você onde estiver, resista bravamente ao que já não somos mais..."

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Olhos vermelhos


"Os velhos olhos vermelhos voltaram
Dessa vez

Com o mundo nas costas

E a cidade nos pés


Pra que sofrer se nada é pra sempre?

Pra que correr, se nunca me vejo de frente

Parei de pensar e comecei a sentir

Nada como um dia após dia

Uma noite, um mês

Os velhos olhos vermelhos voltaram de vez


Os velhos olhos vermelhos enganam

Sem querer

Parecem claros, frios, distantes

Não têm nada a perder

Por que se preocupar por tão pouco?

Por que chorar, se amanhã tudo muda de novo?


Parei de pensar e comecei a sentir

Nada como um dia após dia

Uma noite, um mês

Os velhos olhos vermelhos voltaram de vez!"

domingo, 4 de maio de 2008

Guarda-roupa

Eu abro as portas, deixo o ar entrar... eu consigo ouvir os fios de algodão de cada peça de roupa suspirar aliviado. Toda liberdade tem seu preço, mas qualquer preço é barato demais pra sentir a vida entrando pelos pulmões e, à partir daí, poder acreditar sem medo q nem mesmo o céu é o limite!
Depois de uma semivida, vazia, obscura e inútil, agora finalmente a liberdade chegou. Veio em forma de um pedaço de raiz queimada, conhecida originalmente por Érika, mas batizada popularmente de carvão.
Não, o carvão não serve apenas pra queimar, para arder, ser consumido, depois virar um monte de cinzas q, eventualmente, o vento levará... ele serve também como chave para a libertação, dependendo do q signifique essa libetarção.
O guarda-roupa agora sorri, tenho certeza! Vida nova pra ele agora, seus dias de abandono, solidão e vazio chegaram ao fim e nem mesmo a chuva pode estragar esse momento de renovação, não há mais porque temê-la ou odiá-la, só eu tenho esse direito, uma vez q vou ter q lavar novamente cada uma das roupas q a chuva não deixou secar.
Mas não há porque pensar nisso agora, as coisas estão voltando aos seus devidos lugares, o ambiente se tornou habitável de novo. Tudo o q servir exclusivamente pra ocupar espaço, terá q partir, abrir espaço para o novo, para as coisas realmente úteis.
As coisas parecem estar voltando ao normal, isso é o mais anormal. Mas o q eu esperava? Encontrar dentro do guarda-roupa um receita milagrosa pra seguir em frente?
Eu não acredito q tal receita exista e, mesmo q ela exista e alguém a conheça, não creio q ela chegue até mim e, mesmo q ela chegue até mim, não creio q chegue à tempo. As informação têm um estranho hábito de demorar um certo tempo à mais até conseguirem me encontrar. Por isso, mesmo q essa receita exista, eu já estarei bem mais à frente quando ela me encontrar.

Eu tenho sorte, sim, tenho muita sorte! Eu posso rir sozinha durante horas depois de me impanzinar com qualquer coisa, eu consigo me sentir feliz e achar q cheguei à porta do paraíso, apenas por isso.
É, eu tenho sorte, tenho uma pistola de cola quente, tenho um travesseiro mofado, tenho uma biscicleta com pneu seco, tenho um violão desafinado, tenho roupas molhadas no varal, tenho uma sandália com o salto quebrado, tenho uma tv q não pega canal nenhum... eu tenho um guarda-roupa! Tenho muita sorte, pois mesmo com cada uma de suas imperfeições, essas coisas, são as coisas q eu tenho e não há nada mais perfeito q isso.
Não me importa se os cabides não forem suficientes, sempre haverá um espacinho sobrando em alguma gaveta e, na falta do ferro de passar, eu passo a mão, sento em cima, qualquer coisa do tipo e tenho certeza de q, mesmo o efeito não sendo o mesmo, a intensão não poderia ter sido melhor. Andar por aí amarrotada, sem ligar para o q vai parecer... isso também é liberdade! Já perdemos tempo demais brincando de perfeição
Agora eu posso fechar a porta do guarda-roupa tranquila, ele agora tem um parceiro pra lhe ajudar na luta contra o mofo e não mais perecerá. É, ele está livre, nós estamos livres! Há muita sorte nisso, não é difícil perceber.
Então, todo trabalho valeu à pena. Quem não concorda q tudo valeu à pena, é porque com certeza não chegou até aqui!


"Liberdade é escolher a sua própria prisão."

sábado, 3 de maio de 2008

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"...Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide..."

Tem dias q a saudade aperta um pouco mais e nem dormir adianta muita coisa, porque até os sonhos conspiram pra aumentar a ausência.
Se houvesse espaço no meu sofá, eu diria q a saudade dormiu lá hoje, pra me vigiar, pra ter certeza de q eu a sentiria bem próxima, bem presente. Então, eu senti, mas senti também a sensação de q ela não veio sozinha.
Antes eu tinha dúvidas sobre qual opção escolher, agora não. Agora já não consigo mais nem enxergar as opções, quanto mais escolher alguma.
Me sinto sozinha. Não q eu esteja realmente sozinha, eu tenho pessoas q se importam e com quem me importo, mas agora, nesse exato momento, eu me sinto só... mas quem é q nunca se sentiu assim? Procurando um caminho pra seguir, uma direção, respostas.
Eu tenho escrito menos, é verdade, mas é q cada vez mais as palavras têm sido insuficientes. Elas têm dito tão pouco daquilo q eu realmente gostaria, elas entendem tão pouco aquilo q eu realmente sinto.
Meus sonhos de repente parecem tão vazios. Se meu coração pudesse me mandar emails, ele mandaria um mais ou menos assim:

"EMPTY!"





"Ei, ei mãe, por mais q a gente cresça
Há sempre alguma coisa
Que a gente não consegue entender
Por isso mãe, só me acorde quando o sol tiver se posto
Eu não quero ver meu rosto
Antes de anoitecer..."

Adeus baú tesouro!

"Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícias
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante..."


Minha palheta voltou pra casa.
Então eu pensei q poderia ter tudo o q eu quisesse de volta, até me dar conta de q certas coisas não foram perdidas, mas sim deixadas.
Eu guardei um tesouro q não era meu, mas q me acompanhou por tanto tempo q eu acabei esquecendo disso. Eu tentei esquecer q havia deixado o tesouro pra trás, pra q seu dono encontrasse, e acabei percebendo q a parte mais difícil não é deixar pra trás, mas sim ver o dono o encontrando e levando consigo.
Eu me sinto voltando ao início da estrada, correndo por aí à procura do meu arco-íris, ganhando tesouros q não posso aceitar, esperando q o meu apareça logo.
Dizem q achado não é roubado. Uma vez q fui eu q achei e, q até então, eu desconhecia quem fosse o dono, eu não precisava ter deixado o tesouro alheio no meio do caminho, eu poderia tê-lo tornado meu.
Agora só o q eu quero é roubá-lo pra mim.
O mais triste da partida é quando quem parte não quer ir e quem fica não tá pronto pra ficar sem a companhia de quem parte.
Deixei pra trás o baú vazio, agora sinto falta de todo aquele espaço pra guardar minhas ilusões.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Palhetas perdidas


Meus dedos já não são suficientes pra contar quantas palhetas deixei perdidas ao longo dos caminhos q percorri com o violão na mão, procurando uma sombra fria onde eu pudesse me sentar e tocar as canções q já me acompanham estrada afora.
Palhetas... coisinhas fáceis de se perderem da gente e q fazem uma falta danada, principalmente aquelas com as quais se forma todo um vínculo sentimental, por sua história, como ela chegou até aqui, quem deu, como foi encontrada... pra mim, são semelhantes às pessoas realmente queridas q passaram pela minha história, mas só ficaram durante uma canção, depois passaram sem q eu tivesse tempo de pedir bis.
Boas palhetas são como aqueles bons amigos q eu quero ter sempre por perto e não quero perder nunca! Os quero comigo não apenas por uma música, mas durante toda a jornada, em qualquer lugar onde eu parar pra tocar uma, ou onde me pararem pra tocar uma.
Os amigos... coisinhas fáceis de se perderem da gente e q fazem uma falta danada. Os bons nunca se perdem, sempre estão por aí quando se precisa de qualquer coisa, os mais queridos, estão sempre presentes, mesmo q ausentes. Pena q com as palhetas não é assim, as mais queridas e as boas são as primeiras e se perderem e raramente voltam.
Os amigos queridos eu guardo em um lugar especial no meu coração, as pelhetas mais queridas, eu guardo num lugar especial nas minhas coisas... mesmo assim, mais cedo ou mais tarde, ambos acabam seguindo em frente independente de mim.
Sinto falta das palhetas e amigos q não estão comigo quando preciso. Me perdoem os amigos q se ofederem pela analogia às palhetas, mas dentro do mundo material, a única coisa q eu achei para conseguir equiparar o valor, foi uma coisinha tão inperceptível, tão útil e tão importante na minha vida como ninguém consegue entender.
É como ir a um lugar encontrar aquela pessoa querida e ela não está lá, é assim q me sinto quando estou com o violão no colo, pronta para a primeira música, coloco a mão no bolso e descubro q mais uma palheta me deixou.
E é por achar q tantas pessoas na vida da gente são essas "coisinhas pequenas" tão dispensáveis, q elas se vão e a gente não se dá conta, até q em algum momento, precisamos delas e é, ao "colocar a mão no bolso", q descobrimos q as perdemos e quanta falta elas são capazes de nos fazer sentir.

Eu daria meu violão pra ter de volta todas as palhetas q se foram.
Alguém pode pensar q não adianta nada encontrar todas as palhetas perdidas se não tiver mais o violão, mas não é bem assim.
Cada palheta tem um pedaço daquela música q fez parte daquele pedaço da minha vida q eu deixei de tocar. Vai chegar uma hora em q não vai mais adiantar ter o violão me acompanhando se eu já tiver perdido todos os pedaços de música de partes da minha vida e então, eu e ele nos tornaremos velhos companheiros de estrada silenciados durante o trajeto, por não descobrir a tempo q as nossas "coisinhas pequenas" é q faziam toda a diferença na hora de tocar aquela canção q o momento precisava.
Eu daria meu violão pra ter de volta todos aqueles bons amigos q se foram.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Hora do show

" E então um dia uma forte chuva veio
E acabou com o trabalho de um ano inteiro

(...)
agora é só você

E não vai adiantar

Chorar vai me fazer sofrer..."


A chuva chega, pra deixar tudo ainda mais úmido, achando pouco o mofo q já toma conta de tudo. Eu vou pra rua, correndo atrás da minha esperança, sem saber ao certo se o q molha minha face são os pingos de chuva ou as lágrimas... olhos vermelhos, cara inchada, eu paro um pouco pra tentar me recompor, mas a chuva continua a cair e a molhar e se confundir com minha dor estravazada.
O céu tão cinzento, tão pesado, até parece q sente o mesmo q eu. Hoje é um daqueles dias em q tudo o q eu gostaria de ter na minha frente era o fundo da rede.
Lá fora, eu tento esconder minha dor, porque me permitir senti-la em sua real medida, seria me permitir dividi-la, mas essa alternativa eu já descartei.
Prefiro o silêncio das lágrimas guardadas. Prefiro o silêncio, q não me compromete, q não me dói. Em casa, o silêncio me aguarda, para ouvir as lágrimas q eu trago da rua, q eu guardo só pra mim. Elas são só minhas, são uma parte de mim q eu não posso dividir, se dividisse estaria simplificando a dor, tornando-a mais banal, estaria me banalizando.
Lembro de quando eu era criança e tudo o q eu mais queria era q me vissem chorando, para q meu desejo fosse atendido. Só q aí, antes mesmo q eu crescesse, a dor se tornou real e eu tudo o q eu mais queria era não chorar mais. Então, guardei pra mim, se ninguém vê é mais fácil fingir q não existe.
Já cansei de me dizer q o pecado só é real quando eu confesso e, já q ninguém o vê, então não tenho por quê confessar, logo, não há "pecado".




"Faltava abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito coca-cola
Fazer da minha vida sempre
O meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela
O meu caminho só
Único
(...)
Só falta (...) Iluminar a vida
Já que a morte cai do azul (...)
Falta eu acordar
Ser gente grande
Prá poder chorar..."




Tão impressionante o trabalho danado q há até q alguém nasça e, tudo isso, pra quê? Que sentido tem um espermatozóide guerreiro chegar ao fim do túnel, se completar, se transformar, se tornar vida e, mais tarde, se tornar morte?
A vida vem e vai, nos leva sem q a gente perceba, sem q possamos descobrir ao q viemos. De q adianta todo esse espetáculo, se durante todo o show não decoramos nossa fala ou ao menos descobrimos qual o nosso papel?
De repente os aplausos acabam, sem ao menos termos visto a hora em q a cortina baixou, sem a menor reverência, sem nada.
Quando se dá conta, não dá mais tempo de atuar, o show ia acontecendo durante os ensaios. Quanta coisa faltou falar, quantas cenas deixadas pra depois, quanta história cortada...
Eu queria uma segunda chance, sei lá, voltar um pouco a fita, ou algo do tipo. Eu teria dito "eu te amo" mais vezes. Algumas pessoas precisam muito disso e nem ao menos sabem o quanto há tantas pessoas q guardam esse "eu te amo" delas.
Eu teria vivido mais esse "eu te amo" se eu pudesse voltar um pouco às cenas anteriores e contracenar com os personagens q já saíram da história.
Só o q me resta então, é aproveitar à partir de agora, afinal, ainda tem muita cena pela frente, ainda dá tempo de eu conseguir o papel principal e protagonizar minha própria história.

Quando a chuva passar, espero q leve com ela as lágrimas q eu dexei pra trás. A dor eu reinvento, transformo em silêncio. Se ninguém vê, nem ouve, é porque não existe.
Não quero a maquiagem borrada pra hora dos aplausos.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Sistema circulatório (coração)


Dizem q o coração tem razões q a própria razão desconhece...
Seria tão simples de entendê-lo se fosse só aquela historinha de veia cava superior q bombeia o sangue pro átrio direito q leva pro ventrículo direito q despeja nos pulmões, depois volta oxigenado pro átrio esquerdo e de lá vai pro ventrículo esquerdo, q leva o sangue oxigenado pra todo o corpo q depois devolve pra veia cava superior e recomeça todo o processo.
Não sei porque tanto prazer em se complicar tanto os processos do coração. É tão mais fácil vê-lo imerso dentro de um depósito pra gente poder estudar o q tem por dentro, todas aquelas bicúspedes e tricúspedes.
Ainda bem q, quando o abrem, não dá pra ver as coisas q a gente vai guardando nele durante toda a vida. Eu acho é q todas essas coisas q a gente guarda nele devem viver numa constante jornada, de um átrio pro outro, de um ventrículo pro outro, do corpo até os pulmões e tudo mais. Porque se eu for pensar q fica tudo guardado nesse espacinho do tamanho de uma mão (fechada ainda mais), não dá pra crer q cabe.
Talvez por isso as pessoas tenham tantos problemas de coração, por causa das coisas q deixam ficar guardadas nele.
No meu eu só quero amor! Não importa de qual tipo, não importa se recíproco, ou platônico, ou condicionado, ou gratuito... as paixões fazem as coisas acontecerem, mas só o amor as torna eternas.
Tem sido tão difícil falar de amor nos dias em q estamos. Aliás, difícil não é nem falar, mas sentir, falar ficou tão fácil q já clicherizou, vulgarizou, desencantou.

Eu quero mais encanto pros meus dias, quero mais emoção, q me faça sentir como uma criança com um sorvete na mão (mesmo toda lambuzada se sente a pessoa mais feliz do mundo), q me deixe com sorriso bobo, com o olhar perdido, mas quero principalmente q seja de verdade!
Não quero a sorte de um átrio ou ventrículo, onde tudo q conhece é o passageiro, o andarilho, tudo o q passa por eles, apenas passa e quando volta mais tarde, já não é mais como era antes e nem é com a promessa de, dessa vez, vir pra ficar.
Também não quero a sorte dos amores distantes, aprendi q amar à distância é querer as estrelas enquanto é dia. Não me importo com o q dizem, eu simplesmente não consigo sentir qualquer coisa por qualquer pessoa q não posso tocar e sentir ao meu lado quando eu precisar.
Sou mais da versão de q o q os olhos não vêem, o coração não sente. Na verdade, eu fico me perguntando o quê o coração realmente sente?
Será mesmo q com tanta coisa indo e voltando constantemente, com todo o trabalho q ele tem de se manter batendo o tempo inteiro pra q o corpo ao qual pertence se mantenha vivo e em bom funcionamento, ele ainda tem tempo de sentir alguma coisa?
Prefiro acreditar q aquele friosinho na barriga e tudo o q vem com ele não são responsabilidade de um conjunto de músculos q mal têm tempo cumprir sua obrigação de fazer tudo passar...
Prefiro acreditar q a chave mestra de tudo está em algum lugar entre a hipófise e os forames e, talvez aí, eu encontre a raiz das minhas angústias.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Borrachas...

Todos os seres estão direcionados (não gosto muito do "destinados") à morte, todos somos seres para a morte, ou como diria Freud, todos tendemos ao inanimado.
Durante esse percurso procuramos nos prender o máximo q pudermos à matéria, como uma forma de sentirmos q ficará algo de concreto das coisas abstratas, talvez por isso nos prendemos tanto aos objetos.
Um anel, um papel, ou mesmo uma borracha pode vir me falar mais sobre o q vivi do q fotografias. Aquele objeto aparentemente inútil aos olhos dos outros, tem mais histórias sobre minha vida do q qualquer pessoa seria capaz de entender. Ah se minha borracha falasse...
Mas por que tal apêgo por uma borracha? Pode ser essa ligação dela com meus erros, ou o fato dela ter o poder de corrigir vários deles, quando eu sozinha muitas vezes não consigo.
Eu não vivo de reminiscências, deixo esse tipo de vida para os neuróticos, os esquizofrênicos, eu já passei dessa fase, já consegui me lançar um pouco mais na frente, quem sabe finalmente pra fora de mim.


Quanto às borrachas... preferia não prendê-las. Desejo q elas possam cumprir com seu papel de ser-com-outro apagando aquilo q é necessário no meu processo de transcendência e q possam ter seu merecido descanso quando sua hora de ser-no-mundo se aproximar do fim. Não há motivo para prendê-la, as lembranças q ela deveria trazer consigo foram todas apagadas e espalhadas nos farelos q caíram no chão quando eu soprei.
A saída é se entregar às novas borrachas, deixar q as velhas partam, por mais difícil q possa parecer. Não é nela q estão as lembranças q eu não quero esquecer, é em mim q está. Eu não preciso de algo q apaga pra ter sempre comigo as coisas q eu não quero q o tempo apague. Mas aí eu olho praquele pedacinho verde (ou branco) e lembro de quantas vezes ela foi tão útil, de quanta gente importante pra mim já se utilizou dela pra apagar alguma coisa q precisava... como se livrar de uma companheira q me acompanhou durante tanto tempo por tantos lugares e me lembra tanta gente, tantas coisas?
Faz parte do processo, é preciso se libertar um pouco, principalmente das coisas materiais, principalmente das inúteis. Eu sou um ser q desejo transcender, q desejo a vida, embora isso me torne um ser-para-a-morte. Vou buscar minhas memórias nos lugares certos e usar as borrachas novas para apagar velhos erros.

"Memories are just where you laid them" (Memórias estão apenas onde você as enterrou)

domingo, 27 de abril de 2008

As horas

"Meu coração não se cansa
De ter esperanças

De um dia ser tudo que quer
(...)
Meu coração vagabundo

Quer guardar o mundo em mim..."

Tô desfazendo as minhas malas e o meu guarda-roupa também. Parece q já passou da hora pra uma porção de coisas, mas eu nunca acho q tenha passado da hora pra qualquer coisa enquanto ainda houver um minuto seguinte pra chegar e pelo qual eu possa esperar ansiosamente pra achar q posso esperar mais um pra começar a me mecher.
Eu tô pintando a minha cara, penteando meus cabelos e subindo na salto pra sair por aí... ainda há muita coisa pra ser entendida, mas agora não. Todo mundo precisa tirar o mundo das costas de vez em quando pra ter a coluna ereta, a mente quieta e o coração tranquilo.
Eu tô respirando, isso é importante, embora eu me pegue esquecendo várias vezes durante as horas, durante os dias.
Eu já sei o q eu posso e o q eu não posso, mas também sei q nada é definitivo, até amanhã já vai ter passado tempo demais pras coisas ainda continuarem tão iguais. Eu sei q uma hora elas vão cansar e mudar.

Eu não tenho a menor noção de quanta estrada eu já deixei pra trás, mas tenho alguns quilômetros registrados em fotos guardadas numa gaveta no meu quarto. Há coisas guardadas na minha gaveta de fotos q eu não ousaria mostrar a mais ninguém, são pedaços do meu coração q eu coloquei num envelope para colar mais tarde e aí, acabei gostando de olhar pra eles ali, aos farelos, então findei não colando-os e, mesmo ainda não sendo tarde demais para colá-los, agora eles já não precisam mais ser colados, já passaram tanto tempo ali, q não fazem mais falta alguma, já não há mais lugar nenhum aqui dentro onde eles façam falta, não há mais lugar algum onde eles sirvam pra completar qualquer coisa.
Há pedaços do meu coração q eu não poderia mais colar nem q eu precisasse deles lá... além do mais, cola pode servir para unir cacos, mas nada os fará ser um só novamente.


Eu sei, eu já deveria estar dormindo, mas aí eu me acostumei a brincar de gente grande, q pode assistir qualquer programa de tv, q pode voltar pra casa na hora q quer, q pode ficar acordada até mais tarde, q pode fazer as próprias escolhas (e pagar o preço delas)... qualquer coisa, pendura aí na minha conta q depois papai passa e acerta!
Eu não preciso ser tão gente grande assim, papai é mais grande q eu, então deixa eu continuar a brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz.
As horas vão passar, eu tô vendo o ponteiro rodando. Em algum lugar deve ter um relógio q manda em todos os outros, q quando parar um dia, vai fazer todos os outros pararem também. Uns dizem q esse relógio não existe, outros acreditam q ele tá dentro da gente, contando quantos "tum tum" a gente ainda tem pra fazer antes q ele pare.


"É preciso encarar a vida de frente, encarar sempre a vida de frente e conhecê-la como ela realmente é, pelo menos, conhecer bem a vida para amá-la conforme ela se apresenta a você e depois, descartá-la. Sempre haverá os anos que foram nossos, sempre os anos. Sempre o amor. Sempre as horas."